Resenha | O Senhor da Torre – Anthony Ryan

Precisei de um bom tempo para me recuperar e assimilar tudo o que ali após finalizar essa leitura. No segundo livro da trilogia A Sombra do Corvo, Vaelin Al Sorna finalmente está livre para retornar ao reino e seguir com a sua vida, e isso significa duas coisas: encontrar sua irmã e um pouco de paz.

O começo foi um pouco confuso, porque assim como no final do livro anterior, passaram-se cinco anos e muita coisa aconteceu. Diferente do primeiro volume, no qual acompanhamos a trama se desenvolver principalmente através do ponto de vista de Vaelin, neste, acompanhamos vários outros personagens que ganham destaque. O que achei extremamente positivo, dado as circunstâncias e proporções que a história tomou.

Reva foi uma novidade extremamente agradável. Sua apresentação foi muito bem-vinda e seu desenvolvimento crível e inspirador. A personagem me cativou e se encaixou perfeitamente na história. Em poucas páginas, eu já me importava tanto com ela quanto com os personagens veteranos.

Frentis foi o responsável pelos momentos de maior angústia, me senti tentada a atravessar o livro para poder protegê-lo diversas vezes. As provações do personagem deram a ele um crescimento enorme, até mesmo comparado ao de Vaelin no livro anterior. A mudança com a qual ele teve de lidar e enfrentar, me fizeram olhá-lo com outros olhos. Sim, eu ainda o via como um garoto, então os seus pontos de vista me pegaram desprevenida, foi abrupto, chocante e doloroso, mas extremamente crucial para o desenrolar da história.

Lyrna está diferente, assombrada por decisões difíceis e cruéis que teve de tomar no passado, que aos meus olhos, foram extremamente compreensíveis. Posso dizer que foi uma grande surpresa para mim, que até então, não sabia ao certo o que sentia pela personagem. Por mais que sempre tenha se mostrado inteligente e sagaz, as provações e evolução que ela teve neste curso foram incríveis. A sua força me contagiou, sua resistência, inteligência e mente ágil me conquistaram e eu torci muito por ela. É o tipo de personagem no qual nós, mulheres, sentimos muito orgulho e prazer em acompanhar.

Já Vaelin, assim como vimos no final do livro anterior, está mais maduro, sereno e sua evolução é visível. Seu contato com a canção do sangue é um dos sistemas de magia mais bonitos que já vi, sublime, e levando ao pé da letra, magistral. Mesmo Vaelin cedendo espaço e não sendo o ponto principal e absoluto da trama, o seu brilho não diminuiu. Ele inspira confiança, esperança e lealdade. Não só aos demais personagens, mas a nós leitores também. Como costumo brincar, se perguntarem qual a minha religião, respondo apenas que é Vaelin Al Sorna.

Outro personagem que preciso citar, que com certeza foi a maior surpresa para mim, foi Sentes Mustor. Lembram-se dele? O bêbado? Ele mesmo.

Com a torrente de coisas que aconteceram no livro anterior, podemos perceber a proporção que tais fatos tomaram. E foram gigantescos, com diversos respingos e consequências. Apenas o começo, para algo muito grande e minucioso que estava por vir. Os mistérios, como por exemplo, neste volume ganham intensidade e nós começamos a entender com que tipo de coisa estamos lidando. Chega a ser assustador.

A primeira metade do livro foi muito bem preparada, sem pressa, para que pudéssemos nos situar com o presente e também nos preparar para o que estava por vir. Foi um pouco lenta, admito, mas depois achei absolutamente compreensível. Uma das características de como a história é contada, é que mais uma vez, temos a narrativa intercalando entre futuro e passado, nos deixando cada vez mais confusos e apreensivos pelo caos que está por vir.

Esse livro possui um dos melhores plot twist que já tive a felicidade de ler, daqueles que sacodem a trama, afeta todos os personagens e causa uma reviravolta surpreendente na história. A partir da segunda metade do livro, o ritmo fica frenético, com muita coisa acontecendo ao mesmo tempo, batalhas angustiantes e épicas. Entre um capítulo e outro, eu precisava pausar a leitura para tomar fôlego.

Essa história conta com muitos elementos dos quais eu, fã de livros de fantasia, adoro. Profecias, magia, intrigas políticas, batalhas épicas e muito mais. Tudo isso disposto com muita qualidade. E algo muito importante também presente na história, diversidade e representatividade. A presença de tantas personagens femininas, distintas e fortes, me deixou em êxtase. Ryan constrói e descreve personagens femininas maravilhosamente bem.

Anthony Ryan vem conquistando espaço no meu coração, se tornando um dos meus autores favoritos de fantasia. A narrativa simples com que a leitura é conduzida, nos faz subestimar o autor. Novamente o subestimei. Não sei se foi porque já fui preparada para ler um livro inferior ao primeiro (porque ouvi muito dizer que esse livro não era tão bom quanto), então minhas expectativas estavam controladas. Não estava esperando uma leitura tão boa e fico muito grata pela surpresa. Na minha opinião, está quase em pé de igualdade com A Canção do Sangue, quase. Os dois livros foram um dos melhores lidos no ano até aqui.

Ao mesmo tempo compreendo porque tem tanta gente que não gostou da continuação. As mudanças bruscas que o autor ousou, como implantar mais pontos de vistas e expandir demais a história. Confesso que senti um pouco de incômodo e também medo da história se perder, mas fui compensada com momentos de reviravoltas e batalhas épicas que não me deixaram outra escolha a não ser confiar no autor.

Com a forma que esse livro acabou… só posso ficar aliviada pela editora Leya já ter concluído os lançamentos e eu poder finalizar a trilogia. Se você for fã de fantasia épica e ainda não leu esses livros, está perdendo momentos de leitura extremamente prazerosos e uma história muito boa! Leiam, leiam!

Resenha A Canção do Sangue | A Rainha do Fogo


O Senhor da TorreTítulo: O Senhor da Torre – A Sombra do Corvo #2
Autor: 
Anthony Ryan
Ano: 2016
Editora: Leya
Páginas: 704

SINOPSE: Vaelin Al Sorna, agora guerreiro da Sexta Ordem, é o maior guerreiro de sua época. Desiludido com seu Rei e pelo sangue de guerreiros derramado por causa de uma mentira, ele volta para casa, se isolando de tudo, e jura nunca mais matar. Porém, o Reino, que já está dividido entre os que apoiam o Rei Janus e os que preferem sua irmã como líder, será atacado por forças poderosas, e Vaelin, o Lâmina Negra, deverá lutar novamente.

 

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