Resenha | A Canção do Sangue – Anthony Ryan

A trilogia da sombra do corvo, apesar de muito bem recomendada por aqueles que a leram, não é lá muito popular. Lembro que comprei o livro em uma promoção por causa das recomendações, mas até então ele permaneceu tímido na minha estante, só esperando a sua vez. O que finalmente me fez olhá-lo e colocá-lo nas minhas próximas leituras, foi o lançamento do último livro da trilogia em abril.

Mesmo assim, iniciei a leitura com poucas expectativas, e eu me pergunto o porquê, já que tudo indicava que se trataria de uma ótima leitura – as notas, as recomendações, a premissa interessante. Com isso, fui arrebatada logo no início da leitura. A narrativa de Anthony Ryan é direta e eficaz. Se trata de uma escrita simples e o que me prendeu e me conquistou de verdade foi a história.

Em a canção do sangue, me deparei com um background que amo e nunca vou me cansar de ler: a jornada do garotinho promissor em uma escola. Vaelin é filho do Senhor da Batalha, um dos homens mais importantes do rei. Após o falecimento de sua mãe, ele foi entregue por seu pai no portão da sexta ordem e se viu obrigado a esquecer todos os seus laços familiares em nome da fé.

Já garanto que essa foi a parte que mais gostei, poder acompanhar o crescimento de Vaelin durante os treinamentos duros e testes fatais da sexta ordem. Foi extremamente cativante presenciar o relacionamento dele com os seus irmãos da formação, o amadurecimento de ambos e o vínculo que eles passam a ter um com o outro por causa das dificuldades ao passar do tempo. O surgimento de uma lenda e o fato de você presenciar toda a sua jornada faz com que tudo se torne extremamente convincente. Fora que é simplesmente impossível não gostar de um personagem como Vaelin.

“Homens como você tendem a colecionar nomes como troféus. Nem todos os nomes que você ganhará serão tão gentis”.

Também somos apresentados a outros personagens interessantes, que farão com que você os ame ou os odeie, mas mesmo odiando, você consegue entender as suas motivações. As tramas políticas dão um nó na sua cabeça, mas por mais que você tente, você só consegue compreender algumas coisas avançando e concluindo a leitura.

“Trama dentro de trama, concluiu Vaelin. (…) Imaginou se Janus perdia de vista a teia que tecia, se a aranha alguma vez tecia um dos fios no lugar errado, mas a noção era absurda”.

Outra coisa que merece destaque foi a forma como que o o autor decidiu conduzir a história, intercalando a narrativa e os acontecimentos entre presente e passado. Isso só serviu para alimentar a minha curiosidade sobre como as coisas chegaram ao ponto em que consideramos o presente.

O livro é bem recheado e todas as suas 655 páginas são otimamente preenchidas. Com um universo bem estruturado, com culturas e religiões, nos vemos também diante de maquinações políticas e batalhas – as cenas de guerra são de tirar o fôlego. E ainda sobra tempo para um sistema de magia simples, mas convincente e promissor.

Só mais uma coisa que tenho a dizer: O livro é ótimo e faz jus a todas as boas notas e recomendações. Daqueles que viram favoritos e em posição de destaque na sua estante (sim, até mudei ele de lugar rs). Concluo essa leitura ainda sem compreender porque essa história não é muito estimada. Se você, assim como eu está indeciso, com ele na sua estante ou na lista de desejos, por favor, dê a importância que essa história merece. Recomendo a todo leitor e fã de uma boa fantasia épica.

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A Canção do SangueTítulo: A Canção do Sangue – A Sombra do Corvo #1
Autor: 
Anthony Ryan
Ano: 2016 (edição 2)
Editora: Leya
Páginas: 655

SINOPSE: Quando Vaelin Al Sorna, um garoto de apenas 10 anos de idade, é deixado por seu pai na Casa da Sexta Ordem, ele é informado que sua única família agora é a Ordem. Durante vários anos ele é treinado de forma brutal e austera, além de ser condicionado a uma vida perigosa e celibatária. Mesmo assim, Vaelin resiste e torna-se líder entre seus irmãos. Ao longo de sua jornada, Vaelin também descobrirá de quem foi o verdadeiro desejo para que ele fosse entregue à Ordem o objetivo sempre foi protegê-lo, mas ele não tem ideia do quê. Aos poucos, indícios de uma esquecida Sétima Ordem e questões acerca das ações do Rei Janus fazem Vaelin Al Sorna questionar sua lealdade. Destinado a um futuro grandioso, ele ainda tem que compreender em quem confiar.

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