Resenha: Corte de Névoa e Fúria – Sarah J. Maas

“- Às pessoas que olham para as estrelas e desejam…”
“- Às estrelas que ouvem e aos sonhos que são atendidos”.

Acredito que esta seja uma das resenhas mais difíceis de escrever, por dois motivos. O primeiro, por eu não ter gostado muito do livro anterior e não compreender todo o hype em cima da história. O segundo, consequência do ponto anterior, é que eu iniciei a história disposta a encontrar erros e apontá-los. Eu a subestimei.

Resenha Corte de Espinhos e Rosas 
Contém spoilers do primeiro livro.

Partindo do ponto inicial do livro, o felizes para sempre não existe. Depois dos acontecimentos Sob a Montanha, Feyre está frágil e traumatizada. Nesta questão, achei a sensibilidade da autora genial, porque estamos cansados de ver personagens passar por situações devastadoras e sem qualquer consequência psicológica. Resultado dos acontecimentos que finalizaram o livro anterior, Feyre encontra-se com a mente devastada e a situação ao seu redor contribui com isso.

“Era mais fácil não precisar explicar mesmo. Não precisar contar a ele que, embora eu o tivesse libertado, salvado seu povo e toda Prythian de Amarantha… tinha me destruído. 
E achava que nem mesmo a eternidade seria tempo suficiente para me consertar.”

Em meio ao trauma e as dificuldades, eu me senti afogando aos poucos, junto com a protagonista. Empatia, talvez? Não. Isso não foi suficiente para que eu me aproximasse de Feyre. Eu mantive distância e ainda por cima a culpava e cobrava atitudes dela. Aos poucos e graças à leitura conjunta que fiz do livro, recebi outros pontos de vista sobre a situação da personagem, nos quais consegui enxergar o quão difícil era a situação que ela se encontrava, vulnerável e quebrada. A partir disso, aos poucos, eu comecei a compreendê-la e abrir o meu coração, não só para a Feyre, mas também para a história, que assim, me atingiu com tanta intensidade que o resultado não poderia ser diferente.

“Aquela garota que precisava ser protegida, que desejara estabilidade e conforto… ela morrera Sob a Montanha. Eu morrera, e não houve ninguém para me proteger daqueles horrores antes que meu pescoço se partisse. Então, eu mesma o fiz. Eu não iria, não poderia abrir mão daquela parte de mim que despertara e se transformara Sob a Montanha”.

Sarah focou bastante nas relações interpessoais de Feyre, reconstruindo-a, fazendo com que ela pudesse se desenvolver para retornar à superfície e respirar. A evolução da personagem ocorreu de forma sutil, crível e no tempo certo. Os conflitos e tramas políticas tiveram um espaço tênue, servindo de plano de fundo para o desenvolvimento dos personagens, mas irrompeu com intensidade no clímax da história.

O que mais gostei dessa história foi que a maioria das coisas que mais me incomodaram em Corte de Espinhos e Rosas foram resolvidas e explicadas aqui. Se era a intenção de Sarah desde o princípio, não sei, mas credito que sim, porque ela também deixou alguns sinais claros disso.

“E percebi o quanto tinha sido maltratada antes se meus padrões tinham se tornado tão baixos. Se a liberdade que eu tinha recebido parecia um privilégio e não um direito inerente”.

Com uma narrativa simples, Sarah J. Maas conseguiu me vislumbrar ainda mais com o universo que ela criou, com as criaturas feéricas, que são tão peculiares e mágicas, nos quais passei a maravilhar e  gostar muito. Acho que ela deveria escrever um conto, somente focado nessas criaturas diferentes. Eu iria adorar!

Diferente do livro anterior, os personagens apresentados neste livro me cativaram muito. Azriel, Cassian, Mor e Amren , foram só amor. Eu me importei com eles de verdade. Amren principalmente. <3

Sobre Rhys, ah Rhys… eu achei o personagem tão peculiar, tão destoante no livro anterior – culpado por me livrar do tédio que era aquele livro – que desta vez, Sarah não me fez apenas continuar gostando dele, eu me vi completamente apaixonada pelo personagem. E QUE PERSONAGEM MINHA GENTE! Agora compreendo porque ele é o mozão de todo mundo. Meu mozão a partir de agora. <3

E meu Deus. Que final foi esse. A coisa mais difícil é um livro conseguir me emocionar a ponto de minha vista ficar embaçada – se é que vocês me entendem. Mas o final desse me deixou com o coração apertado, tremendo e desesperada. Desesperada pela continuação, para saber como essa história terá continuidade e será finalizada.

“Quero que saiba que estou quebrada, e me curando, mas cada pedaço de meu coração pertence a você”.

Eu subestimei esse livro, e com isso, mordi minha língua com força. Mas eu não senti dor, senti alívio e felicidade por não ter desistido de uma história que mexeu tanto comigo e me deixou tão feliz.

Para amantes do céu noturno, esse livro é um presente. Fica a dica. 😉

Corte de Névoa e FúriaTítulo: Corte de Névoa e Fúria (Corte de Espinhos e Rosas #2)
Autor: Sarah J. Maas
Ano: 2016
Editora: Galera Record
Páginas: 658
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Feyre assume seu lugar como Quebradora da Maldição e dona dos poderes de sete Grão-Feéricos. Seu coração, no entanto, permanece humano. Incapaz de esquecer o que sofreu para libertar o povo de Tamlin e o pacto firmado com Rhys, senhor da Corte Noturna. Mas, mesmo assim, ela se esforça para reconstruir o lar que criou na Corte Primaveril. Então por que é ao lado de Rhys que se sente mais plena? Peça-chave num jogo que desconhece, Feyre deve aprender rapidamente do que é capaz. Pois um antigo mal, muito pior que Amarantha, se agita no horizonte e ameaça o mundo de humanos e feéricos.

4 comentários

  • Jessica Rabelo | Fantástica Ficção

    Oi. Sabe que eu gostei do primeiro livro, mas porque eu ja conhecia a escrita de Sarah para saber que ela faz isso, ela cria uma personagem que tem tudo para ser forte, mas precisa chegar.
    Mas não esperava que ela fizesse isso da maneira com o qual ela fez. Feyre me surprendeu, mas os personagens à sua volta me surpreenderam mais.
    Gostei muito da sua resenha.
    Me deu uma mega vontade de ler esse livro novamente
    Beijo.

    • Gisele Lopes

      Oi Jess! Então, eu conheço a série dela de Trono de Vidro, mas não sou muito fã 😛 Apesar de não ter gostado do primeiro livro de Corte, acredito que ela tenha acertado a mão nessa característica de “descaracterizar” um personagem, pelo menos dessa vez funcionou melhor pra mim. Fora que, é impossível você ler e não se apaixonar por Rhys, porque é ele quem faz toda a diferença <3 Obrigada! Não vejo a hora de ler Asas e Ruína agora. :*

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