Resenha | O Olho do Mundo, Robert Jordan

Este é o primeiro de uma série fantástica composta de quatorze livros. É uma aventura épica, com todos os elementos necessários para isso: personagens heroicos, a luta entre bem e mal, seres míticos; uma profecia que fala do renascimento do Dragão, que trará a guerra de novo quando as forças tenebrosas se reerguerem; entre outros. Começamos a história lá em Campo de Emond, local distante e onde as notícias parecem chegar séculos depois dos fatos terem acontecido. Conhecemos Rand, Mat e Perrin, três rapazes simples que, após um grande ataque das criaturas das Trevas ao seu vilarejo, acabam sendo levados para longe de Campo de Emond sob o comando de Moiraine. uma Aes Sedai (mulheres capazes de tocar o Poder Único) e seu guardião, Lan.

Juntam-se a eles Egwene, uma garota que está praticamente prometida a Rand e deseja ser Aes Sedai; Nynaeve, uma jovem que é a Sabedoria da vila, algo como Curandeira; e Thom Merrilim, um menestrel que conhece muito sobre o mundo por conta de suas diversas viagens por ele.

“A Roda do Tempo gira, e Eras vêm e vão, deixando memórias que se transformam em lendas (…) O girar da Roda do Tempo não tem inícios nem fins.”

Com uma linguagem metafórica e filosófica, Jordan narra a clássica batalha entre bem e mal, enquanto constrói um universo com suas próprias histórias, lendas e crenças. Não à toa sua escrita é comparada à de Tolkien, a saber os detalhes ricos da trama, que te fazem aguçar os sentidos diante de todos os acontecimentos. Você acaba sendo também mais uma pessoa a sair de Campo de Emond e se aventurar nos perigos do mundo.

Há muitas informações já nesse primeiro volume, de forma que acredito que O Olho do Mundo seja um livro para ser apreciado aos poucos. Tenebroso, Trollocs, Dragão, Aes Sedai, Guardiões… há muitos detalhes, muitos personagens, e todos eles parecem importantes na complexa trama e mitologia desse mundo. Jordan toca ainda em questões que existem desde que o homem é homem. Religião e destino. Tenebroso e Criador. Há de ser o que a Roda tecer.

Confira: O Mundo de A Roda do Tempo

Os personagens são bem construídos, há uma profundidade que você percebe em cada um deles, mas o autor não entrega as cartas já aqui. Você sabe que cada um terá sua importância, mas muito ainda é mantido no escuro quanto a isso. Rand, Perrin e Mat acabam tendo mais destaque aqui, enquanto que Egwene e Nynaeve parecem ter muito mais a acrescentar no decorrer da história.

No entanto, mesmo assim, algo que vale a pena ser destacado é que há uma mística feminina na série, que dá um tom bem diferente na história. Apesar de destacar a força masculina, Jordan traz mais sensibilidade e sabedoria a história, o que não significa que as mulheres não sejam fortes, e isso é muito necessário aqui, e é visto principalmente na pele de Moiraine, que é o fio condutor onde Jordan se apoia para mostrar essa força. Mas você sabe que está ali em Egwene, Nynaeve e em outras que parecem menos importantes agora, mas certamente crescerão.

O tamanho do livro pode assustar, mas na primeira palavra você sente que algo grandioso está vindo, e se torna muito difícil de largar história. O universo que Jordan constrói é muito rico e detalhado, e a sensação é a de que você ainda não tem a dimensão de tudo nesse primeiro volume. Mesmo que haja uma revelação importante (e até esperada) ao final, ela indica apenas o começo de uma jornada épica. Você realmente se preocupa com o futuro desses personagens.

Confira: O Sistema de Magia em A Roda do Tempo

Há referências muito claras a diversas culturas e religiões ao redor do mundo, particularmente ao cristianismo. Adicione então a já citada riqueza de detalhes, uma boa quantidade de ótimos personagens e um sistema de magia muito bem exposto. Por todos esses elementos, é uma série super indicada aos fãs de literatura fantástica.


O Olho do Mundo

Título: O Olho do Mundo (A Roda do Tempo #1)
Autor: Robert Jordan
Tradução: Fábio Fernandes
Editora: Intrínseca
Ano: 2013
Páginas: 800
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Sinopse: Um dia houve uma guerra tão definitiva que rompeu o mundo, e no girar da Roda do Tempo o que ficou na memória dos homens virou esteio das lendas. Como a que diz que, quando as forças tenebrosas se reerguerem, o poder de combatê-las renascerá em um único homem, o Dragão, que trará de volta a guerra e, de novo, tudo se fragmentará. Nesse cenário em que trevas e redenção são igualmente temidas, vive Rand al’Thor, um jovem de uma vila pacata na região dos Dois Rios. É a época dos festejos de final de inverno – o mais rigoroso das últimas décadas -, e mesmo na agitação que antecipa o festival, chama a atenção a chegada de uma misteriosa forasteira. Quando a vila é invadida por Trollocs, bestas que para a maioria dos homens pertenciam apenas ao universo das lendas, a mulher não só ajuda Rand e seus amigos a escapar dali, como os apresenta àquela que será a maior de todas as jornadas. A desconhecida é uma Aes Sedai, artífice do poder que move a Roda do Tempo, e acredita que Rand seja o profético Dragão Renascido, aquele que poderá salvar ou destruir o mundo.

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