Resenha | Jogador Nº 1 – Ernest Cline

Jogador Nº 1 é uma leitura obrigatória para quem vivenciou ou é fã das nerdices e a cultura pop da década de 80. No meu caso, que cresci nos anos 90 e peguei apenas alguns resquícios dessa época, me diverti bastante durante a leitura.

Antes de iniciar a leitura desta resenha, sugiro que coloque a música Dirty Deeds Done Dir Cheap, do AC/DC para tocar. Pronto? Agora sim podemos começar. 😉

No ano de 2044, o mundo de Jogador Nº 1 retrata uma realidade em declínio, fragmentada e cruel. Depois das crises de energia e combustível, mudanças climáticas catastróficas, fome, doenças e pobreza por todo lado, a Terra se tornou um lugar hediondo e obscuro, onde as pessoas buscam diversas formas para sobreviver e fugir da realidade que possui, e muitas dessas formas são autodestrutivas, através de drogas ou suicídio.

Porém, a principal válvula de escape dessas pessoas chama-se Oasis. Uma plataforma online que começou como um jogo, mas que passou a representar e oferecer uma vida melhor para a população. Assim, aos poucos, a maioria das pessoas começou a trocar a realidade pela prática virtual do Oasis, indo à escola, ao trabalho, ao culto e se relacionando com as demais pessoas por lá.

“Quando me sentia deprimido e frustrado com a vida, só precisava apertar o botão do Jogador 1 e meus problemas sumiam de minha mente instantaneamente”.

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Logo após a morte de Halliday, fundador e proprietário do Oasis, o homem lança o seu último jogo – deixar toda a sua fortuna para quem for capaz de encontrar o Easter Egg em seu universo digital. Uma espécie de corrida maluca se inicia em busca do prêmio, com vários caça-ovos e clãs tentando descobrir alguma pista através dos pormenores da vida de Halliday, que era fanático pelos anos 80.  Em consequência disso, temos a volta intensa da cultura vivenciada nessa década, desde músicas, filmes, seriados e jogos.

 “E então a caça ao Easter Egg de Halliday começou. Acredito que isso foi o que me salvou. Finalmente eu havia encontrado algo que valia a pena.
Um sonho pela qual valia a pena lutar”.

Wade é um garoto que perdeu a mãe muito jovem – vítima de overdose – e leva uma vida difícil, morando com a tia em um compilado de trailers denominado Pilhas, dividindo um espaço pequeno com diversas pessoas. Acompanhamos um pouco do seu cotidiano complexo e o alívio que o Oasis representa a ele, quando sua vida vira de cabeça para baixo no momento em que ele se torna o primeiro jogador a pontuar no placar de Halliday.

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Ao longo do livro, Wade tem momentos altos e baixos, o que o torna um personagem bastante real. Os seus momentos de declínio foram compreensíveis, condizentes com o momento tenso da trama. Mas o que mais gostei foi da sua inteligência, ousadia e o fato de não se vitimizar diante dos seus problemas. Wade é um personagem que age e faz as coisas acontecerem. Outra coisa que gostei no personagem foi o seu humor comedido, que vinha nos momentos mais inusitados.

“(…) Percebi que a filmagem que estava sendo feita de mim seria analisada detalhadamente quando tudo aquilo terminasse. O Próprio Sorrento a assistiria, assim como seus superiores. Então, olhei diretamente na lente da câmera, sorri e cocei o nariz com o dedo do meio”.

Por mais que as coisas pareçam complicadas, ainda podem piorar. Wade também precisa lidar com os Seis, uma espécie de caçadores patrocinados pela corporação IOI, que está disposta a fazer de tudo para ganhar a competição e colocar as mãos no Oasis afim de privatizá-lo, e consequentemente, prejudicar o acesso dos menos favorecidos.

Algumas críticas à sociedade são bastantes visíveis no decorrer da trama, principalmente aquelas relacionadas à aparência, como preconceito e racismo. O autor soube enquadrar essas questões nos momentos propícios e deixar o seu recado. Porém, a crítica que mais se destacou das demais foi com relação às pessoas que trocam a vida pela realidade virtual e o quanto isso pode ser prejudicial, tanto à saúde física quanto mental.

Principais características em uma distopia, os sentimentos de medo e angústia pelas chances que essa perspectiva tem de se tornar real são assustadores. Me senti angustiada em diversos momentos da história.

A narrativa de Ernest Cline é simples, mas bastante explicativa. Encontrei alguns problemas de ritmo em alguns momentos da história, mas à medida que ela avança, fica mais fluida e frenética. As páginas finais foram de muita adrenalina. Também não engoli alguns fatores de Deus ex-machina em determinados momentos, e por esses dois pontos é que não dei nota máxima para o livro.

Durante a leitura, foi impossível controlar o sentimento de nostalgia. Das tardes assistindo à sessão da tarde, jogando vídeo-game ou fliperama na lanchonete da esquina. Eu me peguei vibrando a cada referência com a qual me familiarizava – principalmente aos autores e às histórias de livros, é claro. Também pesquisei loucamente as que eu não conhecia e finalizei a leitura com uma bagagem deliciosa com relação às nerdices dos anos 80.

O que me deixou ainda mais entusiasmada com o livro foi saber que em março do ano que vem será lançada uma adaptação cinematográfica com direção de nada mais nada menos que Steven Spielberg. Não vejo a hora de poder conferir.

Trailer – Jogador Nº 1

Se você cresceu durante a década de 80, tenho certeza que vai amar esse livro. Mas se não é o seu caso, assim como eu, também convido a viver a experiência de uma aventura repleta de ação, diversão e adrenalina.


Jogador Nº 1Título: Jogador Nº 1
Autor: Ernest Cline
Tradução: Carolina Caires Coelho
Editora: Leya
Ano: 2015
Páginas: 464
Comprar: Amazon

SINOPSE: Em um futuro não muito distante, as pessoas abriram mão da vida real para viver em uma plataforma chamada Oasis. Neste mundo distópico, pistas são deixadas pelo criador do programa e quem achá-las herdará toda a sua fortuna.
Como a maior parte da humanidade, o jovem Wade Watts escapa de sua miséria em Oasis. Mas ter achado a primeira pista para o tesouro deixou sua vida bastante complicada. De repente, parece que o mundo inteiro acompanha seus passos, e outros competidores se juntam à caçada. Só ele sabe onde encontrar as outras pistas: filmes, séries e músicas de uma época que o mundo era um bom lugar para viver. Para Wade, o que resta é vencer – pois esta é a única chance de sobrevivência. A vida, os perigos, e o amor agora estão mais reais do que nunca.

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