Warbreaker, de Brandon Sanderson

Magia colorida, deuses e uma espada com personalidade

Existe um momento muito especial quando você termina um livro e pensa: “Eu preciso voltar para esse universo”. Foi exatamente isso que Warbreaker me fez sentir. E olha que, no começo, parecia que seria só mais uma fantasia política sobre reinos rivais. Mas, como o próprio Sanderson gosta de fazer, ele entrega muito mais do que a premissa sugere.

Warbreaker é uma história de irmãs com uma magia viva. É também um dos livros mais visuais da Cosmere, com um sistema mágico que literalmente brilha em cores, poder e simbolismo.

Dois reinos, duas irmãs, dois caminhos inesperados

A história se passa entre dois reinos opostos. Idris, um reino austero, monótono, onde o uso de cores é visto com desconfiança e o culto à simplicidade impera. E Hallandren, vibrante, luxuoso, repleto de deuses vivos e cores intensas. Um lugar onde a beleza é poder e o poder, muitas vezes, é disfarçado de devoção.

    Por motivos políticos, o rei de Idris promete sua filha mais velha, Vivenna, em casamento ao rei deus de Hallandren. Mas, em uma decisão inesperada, ele envia a filha mais nova, Siri, acreditando que Vivenna é “importante demais” para ser sacrificada, ou melhor dizendo, ele optou por enviar sua filha menos favorita para o abate rs. E é aí que tudo começa.

    Siri e Vivenna: jornadas opostas

    Siri é enviada como um cordeiro ao abate, mas sua trajetória é de puro crescimento. Ingênua no início, ela aprende a jogar o jogo político, a questionar o mundo e a si mesma. Sua curva de aprendizado é daquelas que dá vontade de torcer junto.

    Já Vivenna é o oposto. Treinada a vida inteira para o papel de princesa diplomática, ela se vê perdida, sem propósito. E é nesse vazio que sua verdadeira transformação acontece. Ela vai de controladora a vulnerável, e então encontra força em sua queda. Também é difícil não se envolver.

    Lightsong, o deus que não acredita em si mesmo

    Se existe um personagem que roubou meu coração (e o protagonismo sem pedir licença), foi Lightsong.

    Ele é um “retornado”, um deus que morreu e voltou, agora cultuado por fiéis, mesmo sem ter ideia de por que ou como mereceu essa posição. Cínico, sarcástico e absurdamente inteligente, ele é o alívio cômico da trama, até que você percebe que há muito mais por trás de seu humor.

    Confesso, comecei achando ele insuportável. Terminei gritando: “Não fale mal do Lightsong perto de mim!”

    Vasher e Nightblood: eu queria mais!

    E o que dizer de Vasher, o guerreiro misterioso que anda com uma espada tagarela, sombria e perturbadoramente carismática? Ou melhor: Nightblood, a espada que fala, questiona, e às vezes mata sem pedir muita explicação.

    A dinâmica entre os dois é incrível! Só que… ficou pouco! Eu queria MUITO mais tempo com essa dupla. Felizmente, o próximo livro (intitulado Nightblood) promete mais desse caos encantador. Cadê, Sanderson?

    A magia da Respiração (e das cores)

    O sistema mágico de Warbreaker é um espetáculo à parte. A base de tudo é a Respiração, um tipo de essência vital que pode ser passada de pessoa para pessoa e usada para “despertar” objetos inanimados. É tipo dar alma temporária a bonecos de vodu, tecidos, armas.

    Quanto mais Respirações alguém tem, mais aguçados ficam seus sentidos, e mais poder ele acumula. E o mais bonito: isso tudo se manifesta em cores, que ganham brilho e intensidade conforme a magia acontece.

    Visualmente, é um prato cheio. E como designer e leitora, eu fiquei encantada.

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    Uma história lenta até que explode

    O ritmo do livro é, sim, um pouco mais lento. Há bastante construção de mundo, jogos políticos, investigações silenciosas. Mas quando a história engata de vez, ali pelas últimas 150 páginas, a famosa “Avalanche Sanderson” acontece: ação desenfreada, reviravoltas, revelações, tudo em sequência. E você não consegue mais largar.

    O mistério do vilão, aliás, é outro ponto forte. A trama vai nos levando por caminhos que parecem óbvios até deixar tudo de cabeça pra baixo.

    Warbreaker é uma fantasia rica, instigante e cheia de camadas. Tem humor, tem política, tem personagens femininas incríveis, tem magia única, e tem uma espada que fala (sim, vou repetir isso porque é sensacional).

    É, sem dúvidas, um dos meus favoritos do Sanderson. A escrita é acessível (mesmo em inglês intermediário), e o impacto da história permanece muito tempo depois que você fecha o livro.

    ★★★★★

    Leu Warbreaker? Pretende ler? Me conta aqui nos comentários qual foi seu personagem favorito e cuidado com as espadas que falam, elas podem ser perigosasamente legais.

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