Resenha | A Garota que Bebeu a Lua – Kelly Barnhill

As definições de fofura foram atualizadas. A Garota que bebeu a lua está presente na lista dos livros mais aguardados do ano para mim. Quando descobri que a Galera Record o publicaria, fiquei muito feliz, porque a premissa já havia despertado o meu interesse desde o seu lançamento lá fora.

O Protetorado é um vilarejo pequeno e pacato, onde existe uma grande atmosfera de tristeza causada pela ameaça da Bruxa má que vive na floresta. Para manter o local seguro e impedir que a Bruxa aterrorize o povoado, todo ano é preciso entregar um bebê como sacrifício. Em contrapartida, Xan, a Bruxa tão temida, não é nada do que as pessoas imaginam. Ela não compreende por que o Protetorado abandona tantas crianças, então sempre as resgata e as leva até as Cidades Livres, para encontrar uma família amorosa.

“A Bruxa – ou melhor, a crença de que ela existia – tornou o povo aterrorizado e subjugado, um povo submisso, que vivia a vida em um nevoeiro de tristeza, e as nuvens de sua tristeza adormeciam seus sentidos e encharcavam suas mentes”.

Durante o resgate, Xan vai preparada. Ela leva mamadeiras e sempre alimenta as crianças com luz estelar. Certo dia, a Bruxa se depara com uma menininha linda, de cabelos negros e olhos curiosos. Ela se sente tão encantada pela bebê, que sem querer a alimenta com a luz da lua, ao invés das estrelas. Com isso, a menina absorve uma quantidade exorbitante de magia e é embruxada. Xan não vê outra saída se não criar a bebê, agora chamada Luna, para prepará-la e protegê-la dos seus poderes extraordinários.

A Garota que bebeu a lua é uma história rica em detalhes, com um cenário absurdamente fantasioso. Kelly Barnhill transborda magia através de sua narrativa, e essa é a melhor forma de definir o seu livro: mágico. A escrita é delicada e preciosa, te faz mergulhar nos bosques que cercam o Protetorado e vivenciar tudo com muito entusiasmo. É o tipo de narrativa que te faz sorrir durante a leitura, porque te acolhe e te faz bem.

“- Só porque você não vê algo não significa que não esteja lá. Algumas das coisas mais maravilhosas do mundo são invisíveis”.

Há também uma construção muito cuidadosa dos personagens. É possível se importar e se apegar a eles em pouquíssimas páginas. Acompanhamos toda a atmosfera do Protetorado através do ponto de vista de Antain, um garotinho que está se preparando para se tornar um Ancião, mas que se traumatiza quando se vê na difícil tarefa de arrancar um bebê dos braços da mãe em prol do sacrifício. Não é isso que ele quer se tornar.

Por outro lado, também continuamos a presenciar o desenrolar da trama de Luna e Xan, junto com os seus fiéis e magníficos companheiros, Fyrian, um Dragãozinho Perfeitamente Minúsculo, e Glerk, o  poético Monstro do Pântano – e também meu personagem favorito. Cada um possui suas características individuais e fascinantes, mas o interessante é que no decorrer da história muitos outros personagens surgem e têm o holofote virado para si, ganhando a sua parcela de importância e nos surpreendendo.

Algo interessante sobre essa história é como ela brinca e distorce alguns padrões. Como por exemplo, dando a Xan, a temível bruxa da floresta, características gentis e bondosas. E isso acontece o tempo todo, nada é o que aparenta ser.  A história que a princípio se mostra simples surpreende com os mistérios e reviravoltas.

“Nem todo conhecimento vem da mente. Pode vir de seu corpo, de seu coração, de sua intuição. Às vezes, lembranças têm pensamento próprio.”

A trama impressiona quando desvenda os seus segredos e apresenta um desfecho simples e ao mesmo tempo satisfatório. A graça desta fábula está nas mensagens sutis que ela transmite sobre amor, esperança e as consequências de oprimir sentimentos como tristeza e dor.

Este é mais um infantojuvenil que pode ser desfrutado por pessoas de todas as idades. Você poderá ler e gostar deste livro apenas por sua incrível história, mas também pode apreciar e absorver os ensinamentos que ele traz. Uma coisa é certa, A Garota que Bebeu a Lua promete encantar e te deixar feliz.


A Garota Que Bebeu a LuaTítulo: A Garota que Bebeu a Lua
Autor: Kelly Barnhill
Tradução: Natalie Gerhardt
Editora: Galera Record
Ano: 2018
Páginas: 308
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SINOPSE: Uma fábula sobre aceitação, amor, amadurecimento e o poder da memória. Da autora de O Filho da Feiticeira, considerado o Livro do Ano pelo Washington Post.
Todo ano o povo do Protetorado deixa um bebê como oferenda para a Bruxa que vive na floresta, na esperança de que o sacrifício a impeça de aterrorizar sua pequena cidade protegida pelos muros e pela Torre das Irmãs da Guarda. Mas, Xan, a Bruxa na floresta, ao contrário do que eles acreditam, é bondosa. Ela vive em paz com um Monstro do Pântano muito inteligente e um Dragão Perfeitamente Minúsculo.
Todo ano ela resgata o bebê deixado pelos Anciãos e o leva em segurança para uma família adotiva em uma das Cidades Livres do outro lado da floresta. Durante a longa viagem, quando a comida acaba, Xan alimenta os bebês com luz estelar. Em uma dessas ocasiões ela acidentalmente oferece a um deles a luz do luar, dotando a menininha de uma magia extraordinária.
A bruxa então decide criar a menina “embruxada”, a quem chama de Luna. Conforme o aniversário de treze anos da menina se aproxima, sua magia começa a aflorar – e pode colocar em perigo a própria Luna e todos à sua volta.

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