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  • Palavras de Radiância, de Brandon Sanderson

    Palavras de Radiância, de Brandon Sanderson

    Sim, Sanderson fez de novo.

    Os Relatos da Guerra das Tempestades: Livro 1 | Livro 2 | LIVRO 3

    Acompanhar essa série é mesmo uma jornada cheia de emoções, o que põe em prática um dos principais ideais da história: “jornada antes do destino”. Bem, até aqui, a jornada tem se provado intensa e cheia de possibilidades. Em Palavras de Radiância, o segundo volume de O Relato da Guerra das Tempestades, Brandon Sanderson consegue elevar tudo o que foi promissor em O Caminho dos Reis.

    Mas já adianto: essa resenha contém spoilers tanto do primeiro quanto do segundo livro da série. Se você ainda não leu, sugiro que pare por aqui e volte depois. Mas se já embarcou nessa tempestade, bora conversar comigo.

    Uma jornada em expansão

    Logo nas primeiras páginas, Palavras de Radiância deixa claro que vai mexer com nossas convicções. O prólogo, dessa vez sob o ponto de vista de Jasnah Kholin, revisita o assassinato do rei Gavilar, adicionando uma nova e inquietante camada a este acontecimento misterioso. Jasnah, aliás, continua sendo uma das minhas personagens favoritas, e ver esse momento com seus olhos foi como abrir uma janela para os bastidores da história de Roshar.

    Sanderson expande não só os personagens, mas também os limites do mundo que criou. A introdução mais clara dos três reinos da Cosmere, o físico, o cognitivo e o espiritual, transforma a nossa compreensão da própria magia. A sensação de que finalmente estamos nos aproximando da verdade sobre o funcionamento desse mundo compensa qualquer confusão inicial.

    Personagens de destaque

    O que mais me impressiona em nessa série é que, mesmo com guerras, magia, sociedades secretas e revelações bombásticas, são os personagens que ficam. E nesse volume, cada um deles atravessa seus próprios abismos.

    “A Honra está morta, mas verei o que posso fazer.”

    Kaladin, por exemplo, continua sendo o centro emocional da narrativa. Mas aqui, ele está mais pesado do que nunca. Suas batalhas internas com a depressão são intensas, sufocantes às vezes. O peso da responsabilidade, a raiva mal resolvida, a culpa constante. Ver ele conquistar novos poderes, como a habilidade de voar, é catártico, mesmo que triste às vezes. Porque sabemos que por trás do herói existe alguém que não acredita merecer ser salvo. É doloroso e real ao mesmo tempo.

    Shallan é a grande revelação. Quem parecia ser “a frágil garota inteligente” se revela uma mulher complexa, sarcástica e profundamente fragmentada. A forma como ela cria ilusões para esconder memórias (inclusive de si mesma) é tão metafórica quanto literal. E ao mesmo tempo em que ela encanta Adolin com sua inteligência, também nos desconcerta com sua capacidade de manipular verdades e silenciar dores. Não é só a personagem de destaque do livro, mas a personagem mais bem criada do Sanderson até aqui.

    Dalinar, por outro lado, passa por um processo mais clássico de redenção. Ele continua sendo o idealista, o que acredita que é possível mudar Alethkar e a si mesmo. Mas sua transformação nem sempre convence por completo. Em alguns momentos, senti que ele foi “perdoado pela narrativa” com uma facilidade desconfortável, o que acabou perdendo alguns pontos comigo. Ainda assim, sua presença é necessária nesse universo tão quebrado.

    Sociedades e segredos

    Enquanto acompanhamos os protagonistas tentando sobreviver à próxima batalha, Sanderson vai costurando o pano de fundo com sociedades secretas e tramas paralelas. Foi graças a uma leitura coletiva que consegui me atentar à maioria delas, e entender que cada uma carrega a sua verdade. Estamos falando de sociedades como os Sanguespectros, uma sociedade secreta com objetivos obscuros, envolvida em espionagem e sabotagem. E fiquem atentos, pois a terceira era de Mistborn ganhará um livro com este mesmo nome, ou seja, essa turminha também estará por Scadrial.

    Também conhecemos o Diagrama, um grupo fundado por Taravangian com base em previsões matemáticas, seu objetivo é salvar a humanidade a qualquer custo. E foi bem aqui que meu fascínio por esse senhorzinho começou, por mais mau caráter e sem escrúpulos que ele seja. E para finalizar, também identifiquei os Rompecéus, uma Ordem de Cavaleiros Radiantes que segue rigidamente a lei acima da moral.

    Ao conhecer essas sociedades secretas e personagens brilhantes, como Taravangian ou até mesmo Jasnah, cuja presença ainda é tão reservada, fica a sensação de que estamos apenas tocando a superfície desse mundo. Como se estivéssemos na pontinha do iceberg, com muito ainda escondido. Pela primeira vez, uma inquietação me atingiu: será que haverá tempo para tudo isso se amarrar? Ou o que estamos descobrindo aqui vai muito além da trama de Os Relatos da Guerra das Tempestades e transbordará definitivamente para o restante da Cosmere?

    Conclusão

    Os acertos são muitos: Shallan em modo protagonista, cenas de ação épicas e memoráveis, construção de mundo que não para de crescer, personagens com profundidade. Personagens como Elhokar continuam irritantes, mas vou tentar confiar no que o futuro da série reserva para ele, rs.

    Palavras de Radiância é mais que uma continuação, é uma consolidação do que O Caminho dos Reis começou e vai além. É um livro que te testa, te surpreende, te emociona. E, quando termina, deixa a sensação clara: essa não é só uma série de fantasia. Ela chegou para ganhar seu coração.

    Sanderson conseguiu me deixar ainda mais envolvida com o destino desses personagens. Me fez chorar, rir, teorizar e querer mergulhar imediatamente no próximo volume (Sacramentadora, eu estou vindo!).

    Nota: ⭐⭐⭐⭐⭐ + <3