Dragões, romance e hype. Mas será que entrega tudo isso?
Fui ler Quarta Asa na onda do hype. E sim, entrei sabendo que estava me jogando num caldeirão que mistura academia militar, dragões e romance com tesão, eu quis dizer tensão. Mesmo assim, decidi encarar a leitura em inglês, com apoio do audiobook, o que, aliás, foi uma escolha que funcionou bem. A narração ajudou bastante a dar ritmo à leitura e a dar vida à protagonista, mesmo quando algumas escolhas da narrativa me deixaram com o olho tremendo.
Uma protagonista forçada ao combate
A história acompanha Violet Sorrengail, uma jovem que foi criada para ser uma escriba, até que sua mãe, uma general durona e implacável, simplesmente decide que ela vai se tornar uma guerreira. Sim, do nada. Mesmo que Violet não tenha treinamento, força ou resistência física. Mesmo que seus ossos pareçam feitos de vidro. Mesmo que todo mundo diga que ela não vai durar uma semana.
O começo do livro é basicamente sobre isso: Violet sendo jogada em um campo de batalha disfarçado de escola, onde apenas os mais fortes sobrevivem. Literalmente. Se você cair do parapeito de boas-vindas, você morre. Se não for escolhido por um dragão, você morre. Se pisar no calo de alguém mais forte… você já entendeu, né?
Esse início tem uma energia viciante. Tem adrenalina, competição, provas brutais e a promessa de dragões que escolhem seus cavaleiros com base em afinidade e força de espírito.
Dragões, magia e informações pela metade
Um dos aspectos mais legais de Quarta Asa é o vínculo com os dragões. Quando um dragão escolhe um cavaleiro, esse vínculo gera poderes mágicos que variam conforme o tipo de dragão. A premissa é incrível. Mas senti falta de mais profundidade.
A autora entrega pouco sobre os dragões como seres mágicos, como cultura, como lenda. Quais são suas espécies? Como eles vivem fora da academia? Qual a origem desse vínculo? Ficou tudo muito no “dragões são legais, aceite”. E, olha, eu aceito sim, mas queria mais.
Romance e clichês
Se você gosta de tensão romântica estilo enemies to lovers, você vai ser alimentado aqui. O livro flerta com um triângulo amoroso entre Dain, o amigo de infância superprotetor, que acha que Violet é frágil demais (e, sinceramente, subestima tudo nela). E Xaden, o bad boy misterioso com passado sombrio, que começa como ameaça e vai se revelando peça-chave da trama.
O problema é que o romance começa bem, mas escorrega. Lá pela segunda metade do livro, Violet começa a ficar ciumenta, desconfiada, passivo-agressiva, e o relacionamento entra num terreno meio tóxico. Sabe quando você pensa “mas era só conversar, gente…” Pois é.
Ainda assim, Xaden é um personagem que funciona. Ele tem carisma, tem complexidade, e é o único personagem secundário realmente desenvolvido. O resto… nem tanto, rs.
Um mundo que se esconde por tempo demais
Esse livro tem 600 anos de guerra nas costas, mas a gente mal sente isso. A autora menciona o conflito, mas deixa para revelar de verdade o que está em jogo nos últimos 10% da história. O famoso plot twist chega, e ele é bom, mas chega muito tarde.
Até lá, a trama se resume à vida dentro da academia: provas, lutas, alianças frágeis e flertes perigosos. Tudo bem feito, mas limitado. Quando o mundo finalmente se abre, você percebe que havia muito mais para explorar… só que faltou espaço (ou vontade) de fazer isso antes.
A reta final traz batalha, sangue, dragões, e uma tentativa de revirar tudo o que você acreditava. Funciona em parte, mas também traz algumas escolhas que me deixaram frustrada. Violet, que deveria estar no centro da ação, fica muito passiva, apenas observando os acontecimentos. Isso tira dela um protagonismo que vinha sendo construído.
Conclusão
Quarta Asa é um livro divertido, com uma premissa forte e alguns momentos muito envolventes. A ideia da academia de cavaleiros e os vínculos com dragões têm um apelo difícil de resistir. O romance tem química. A protagonista é interessante quando não está sendo chata, mesmo que nem sempre coerente.
Mas é também um livro com problemas: personagens secundários rasos, exposição tardia, romance tóxico em alguns momentos, e uma sensação constante de que o melhor da história ficou guardado para depois. Mas infelizmente, não me senti cativada o suficiente para dar sequência à trilogia.
Até entendo o hype. Mas não acho que entrega tudo o que promete hehe.
★★★
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