Começar uma série com 14 volumes pode parecer intimidador, eu sei. Mas há algo mágico e desafiador em mergulhar nas páginas de O Olho do Mundo, o primeiro volume da icônica saga A Roda do Tempo, escrita por Robert Jordan.
"A Roda do Tempo gira, e Eras vêm e vão, deixando memórias que se transformam em lendas. As lendas desvanecem em mitos, e até o mito já está há muito esquecido quando a Era que o viu nascer retorna. O girar da Roda do Tempo não tem inícios nem fins".
Essa leitura marcou minha vida pela primeira vez há uns bons anos, mas desde quando revisitei a história com o projeto “Tecendo a Roda”, tudo ganhou um novo sabor. E é sobre isso que vim conversar: o que torna essa estreia tão promissora.
Um prólogo desconcertante
Se você está começando a leitura agora e já sentiu a cabeça dar um nó no prólogo, respira, você não está só! A história se abre com uma cena enigmática e poderosa: vemos um homem, Lews Therin Telamon, vagando por uma casa em ruínas, devastado por algo que só vamos entender aos poucos. Ele é chamado de “Dragão”, um título que carrega peso e consequências, e tudo indica que cometeu um erro catastrófico. O evento é conhecido como a Ruptura do Mundo, e mesmo que pareça confuso à primeira vista, é um daqueles momentos que vai assombrar a série inteira.
Minha dica aqui é: não tente entender tudo de imediato. A Roda do Tempo é uma teia cuidadosamente entrelaçada. As peças se encaixam com o tempo, e essa demora faz parte da experiência.
Dois Rios
A narrativa principal nos apresenta Rand al’Thor, um jovem simples do vilarejo de Campo de Emond, em Dois Rios. Ele e seus amigos, Mat e Perrin, levam uma vida tranquila, até que o inesperado acontece: criaturas monstruosas chamadas Trollocs atacam o vilarejo, e com elas, chegam também Moiraine, uma misteriosa Aes Sedai, e seu silencioso e imponente guardião, Lan.
Moiraine logo revela que há algo maior em jogo. Um dos três rapazes pode ser o Dragão Renascido, figura central de uma profecia que pode salvar ou destruir o mundo. E assim, a jornada de autodescoberta e fuga se inicia, cheia de perigos, segredos e questionamentos.
A magia da série
Um dos pontos que mais me fascinam na série é a construção do Poder Único, a fonte da magia nesse universo. Após a Ruptura do Mundo, o lado masculino desse poder foi corrompido, o que fez com que os homens que tentam canalizá-lo enlouqueçam. É por isso que, hoje, somente mulheres (as Aes Sedai) o utilizam de forma legítima, o que cria uma dinâmica mágica única e cheia de tensão política.
Aliás, a presença feminina na série é forte, rica e complexa. Personagens como Moiraine não são apenas poderosas, mas profundamente intrigantes. Mesmo que Rand pareça o protagonista, fica claro desde o início que o universo da Roda gira em torno de múltiplas forças e vozes, e muitas delas são femininas.
Um início lento, mas cheio de promessas
Não vou mentir: O Olho do Mundo é um livro de ritmo lento. São mais de 800 páginas que constroem, com calma e detalhe, o cenário, as profecias, as culturas e os conflitos desse mundo. Comparações com O Senhor dos Anéis são inevitáveis no começo, especialmente pela estética de “vilarejo pacato invadido por um mal ancestral”, e também por uma clara homenagem, mas aos poucos a história encontra sua própria identidade.
Se você está começando agora, meu conselho é simples: tenha paciência. Não tente decorar cada nome, nação ou profecia. A Roda gira devagar, mas quando engrena, te leva junto com ela.
Por que continuar?
Confesso: só me apaixonei verdadeiramente pela série a partir do quarto livro, Ascensão da Sombra. Mas isso não significa que os volumes anteriores não tenham valor. Pelo contrário, O Olho do Mundo é o alicerce. É aqui que a Roda começa a girar, que as sementes são plantadas, que os mistérios ganham forma.
Se você sentir que a leitura está lenta, lembre-se: esse é um universo que vai se desdobrar com o tempo. E quando acontecer, vai valer cada página.
★★★★★
Obs.: Nota na emoção de reviver esse universo que amo tanto.
Se você já leu, me conta: qual foi sua primeira impressão do livro? Só cuidado com os spoilers, hein?
