Resenha | Maresi (As Crônicas da Abadia Vermelha) – Maria Turtschaninoff

 Título: Maresi | Autora: Maria Turtschaninoff | Tradução: Lilia Loman e Pasi Loman | Editora: Morro Branco | Ano: 2018 | Páginas: 200 | Skoob | Goodreads | Amazon


Uma história sobre amizade e sobrevivência, magia e encantamento, beleza e terror.
Maresi chegou à Abadia Vermelha quando tinha 13 anos, durante o Inverno da Fome. Antes disso, só ouvira rumores e fábulas sobre o lugar. Em um mundo onde garotas são proibidas de estudar ou seguir seus próprios sonhos, uma ilha habitada apenas por mulheres soava como uma fantasia incrível. Agora Maresi vive ali e sabe que é real. Ela está segura.
Tudo muda quando Jai, com seus cabelos emaranhados, cicatrizes e roupas sujas, chega em um navio. Ela fugia da crueldade e dos perigos escondidos em sua terra natal – mas os homens que a perseguem não vão parar por nada, até encontrá-la.
Agora as mulheres e meninas da Abadia Vermelha terão que usar seus poderes e conhecimento ancestral para combater as forças que desejam destruí-las. E Maresi, assombrada por seus próprios pesadelos, deve confrontar seus mais profundos e terríveis medos.


“Ler sempre me ajudou a compreender melhor o mundo. Espero que o mesmo se aplique a escrever.”

Imagine um livro com toques de magia, escuridão e principalmente autoconhecimento. Uma história que envolve laços de amizade, comprometimento, lealdade e sobrevivência em um mundo onde as mulheres são vistas como incapazes de sobreviver sem os homens. (E não, não estou falando sobre a triste realidade de nossa sociedade, que fique claro). Enfim conseguiu imaginar? Então venha se aventurar no mundo criado pela finlandesa  Maria Turtschaninoff.

Nesse mundo hostil e machista existe a Abadia Vermelha, local que a maioria das pessoas  conhecem apenas por histórias e canções. Essa “mitológica” abadia se encontra na Ilha de Menos, região em que os homens são proibidos de habitar e visitar. No convento, são aceitas meninas de todas as idades para a Primeira Madre, deusa que é três pessoas distintas, que possuem ao mesmo tempo uma só essência ou natureza. E é aqui que Maresi, a protagonista da história vive.

Maresi é uma adolescente com seus próprios medos e sonhos. Ir para a Abadia foi uma forma de fugir da crueldade dos homens, sentir-se segura e realizar os seus sonhos. Nada lhe satisfaz mais do que após os términos de seus deveres e estudos, ir para um local que ela considera uma sala de tesouros, já que lá situa-se o que mais ama, os livros em que ela vive histórias e armazena conhecimento.

” – Porque o conhecimento é poder.”

A rotina dela acaba mudando com a chegada de Jai, uma menina calada e intrigante que fugia da crueldade das pessoas em que não se espera encontrar vilanias: a sua própria família.  Doravante, tanto a vida de Maresi como da abadia acabam mudando. E assim, inicia-se uma amizade que envolve lealdade e cumplicidade entre ambas as partes.

Confesso que o estilo de narrativa proposto pela autora, em primeira pessoa, não é o meu favorito. Mas conforme vamos nos habituando com a história, isso acaba passando despercebido, já que essa proposta nos auxilia a sentir as cargas emocionais que Maresi enfrenta na vida da própria perspectiva dela.

“- Não fique triste, Maresi. Você tem que deixar o velho para começar algo novo. Mas isso não significa que você o perdeu para sempre”

O foco de Turstschaninoff na trama é mostrar como o machismo acaba se tornando  prejudicial à sociedade, às mulheres, aos próprios homens, e até outros gêneros. Não sou nenhum especialista no assunto, mas aqui coloco a minha visão pessoal: as ideologias machistas apresentadas pelo livro são vis e profundamente asquerosas, algo que me incomodou bastante. E, penso que a partir do momento em que algo te incomoda, seja em um livro, série ou eventos ao seu redor, é porque algo está errado, muito errado mesmo. O que quero dizer com isso? Que assim como no livro, na nossa realidade, a mulher ser vista como inferior ao homem é errado, discrimina, destrói e mata. O maravilhoso da literatura ao meu ver é isso: quando os autores não constroem uma história apenas para mero entretenimento, mas sim para provocar uma reflexão, mesclando de forma coerente acontecimentos que nos acercam no mundo real com a sua criatividade.

10 comentários

  • Jessica Rabelo

    Oii. Esta sua resenha ficou fantástica Rogério. Eu amei o modo com o qual você conseguiu nortear os lados da narrativa principalmente no enfoque dos elementos reais da obra. Amo livros que incomodam. Dentre muitos aspectos acredito que este seja o que mais me incita a ler. Beijos.

    Blog: fanficcao.wordpress.com

    • Rogério Augusto

      Obrigado, Jessica. Espero que as próximas resenhas continuem sendo do seu agrado. E fica a recomendação do livro. Espero que um dia você possa lê-lo.
      beijos

    • Rogério Augusto

      Olá, Fernanda. Concordo com você. Uma das coisas fantásticas da literatura é fazer essa reflexão do que estamos lendo com a nossa realidade.
      beijos

  • Cecília Justen de Souza

    Ei! Tudo bem?

    Amei sua resenha, você escreve muito bem e sabe como mostrar todos os pontos da história, parabéns!
    Não sou muito fã do gênero e é bem difícil alguém me convencer a ler, mas adorei a temática e como existe essa crítica ao mundo machista e como ele afeta nossa sociedade. É muito legal ver o mundo literário mostrando os problemas da realidade de uma forma reflexiva.

    Beijos!
    http://www.as365coresdouniverso.com.br/

  • Eloise

    Oi Rogério,
    Amei saber sua opinião sobre esse livro, pois estou com muito interesse de lê-lo. Concordo com você, quando o autor nos faz refletir sobre um tema, principalmente sobre algo que está vivo e aceso em nossa sociedade, acaba sendo uma experiência incrível e notável. Acho a premissa desse livro interessantíssima, preciso ler!!! <3

    Amei!
    Bjokas da Elo!
    http://cronicasdeeloise.blogspot.com.br/

    • Rogério Augusto

      Obrigado, Eloise. Livros com essa temática pelo visto são especialidades da Editora Morro Branco. Estou lendo outras obras do catálogo deles e adorando. Espero fazer mais resenhas. Beijãp

  • Viviane Ferreira Oliveira

    Eu tinha visto esse livro nas redes sociais da editora e pela sinopse já fiquei super interessada!
    Adorei saber mais pela sua resenha, reforçou minha ideia de ser uma ótima obra!
    As vezes gosto de ler só por distração, mas confesso que esses livros que trazem reflexões me marcam muito mais!

    osenhordoslivrosblog.wordpress.com

  • Joyce Santos

    Olá, amei os quotes que você destacou , confesso que nunca tinha visto esse livro, agora vendo do que ele se trata, a premissa me chama a atenção, livros reflexivos e com temas que mexem conosco é tudo de bom, parabéns pela resenha tão detalhada. Já anotei sua dica.

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