{"id":276,"date":"2025-07-18T23:24:55","date_gmt":"2025-07-18T23:24:55","guid":{"rendered":"https:\/\/abducaoliteraria.com.br\/blog\/?p=276"},"modified":"2026-05-09T16:38:20","modified_gmt":"2026-05-09T16:38:20","slug":"sacramentadora-de-brandon-sanderson","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abducaoliteraria.com.br\/blog\/2025\/07\/18\/sacramentadora-de-brandon-sanderson\/","title":{"rendered":"Sacramentadora, de Brandon Sanderson"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right has-small-font-size\" style=\"text-transform:uppercase\">Os Relatos da Guerra das Tempestades: <a href=\"https:\/\/abducaoliteraria.com.br\/blog\/tag\/o-caminho-dos-reis\/\">Livro 1<\/a> | <a href=\"https:\/\/abducaoliteraria.com.br\/blog\/2025\/07\/17\/palavras-de-radiancia-de-brandon-sanderson\/\">Livro 2 <\/a>| <strong>LIVRO 3<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Demorei quatro meses para terminar a leitura de <em>Sacramentadora<\/em>, o terceiro volume da s\u00e9rie <em><em>Os Relatos da Guerra das Tempestades<\/em><\/em>, do Brandon Sanderson. E sim, a culpa foi da minha maior ressaca liter\u00e1ria dos \u00faltimos anos. Mas valeu a pena atravessar essa leitura intensa, mesmo trope\u00e7ando em alguns cap\u00edtulos. Essa resenha tem <strong>spoilers<\/strong>, ent\u00e3o se ainda n\u00e3o leu, recomendo salvar para depois!<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Um come\u00e7o promissor <\/h3>\n\n\n\n<p>Entrei no livro com o p\u00e9 atr\u00e1s com Dalinar, confesso. Nas obras anteriores, ele sempre me pareceu aquele tipo de personagem que ganha tudo de m\u00e3o beijada, enquanto Kaladin e Shallan ralam para evoluir. Minha expectativa era entender melhor seu passado, e torcer para que ele finalmente se tornasse mais humano e voltasse a cair nas minhas gra\u00e7as. Afinal, ali em O Caminho dos Reis, eu at\u00e9 gostava dele.<\/p>\n\n\n\n<p>Adorei a ambienta\u00e7\u00e3o em Urithiru, uma cidade abandonada e cheia de segredos. Estava especialmente ansiosa para ver os conflitos pol\u00edticos se desenrolando, com destaque para a presen\u00e7a da rainha e os fervorosos. E, claro, ver Jasnah surgindo finalmente no final da parte 1 foi aquele suspiro de al\u00edvio que s\u00f3 quem ama a personagem entende. Kaladin tamb\u00e9m teve um momento marcante voltando para casa, embora sua fam\u00edlia tenha me deixado com os nervos \u00e0 flor da pele.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Um marasmo complicado<\/h3>\n\n\n\n<p>A Parte 2 foi, para mim, a mais dif\u00edcil. O livro tem cara de transi\u00e7\u00e3o, com pouca a\u00e7\u00e3o e muita introspec\u00e7\u00e3o, e isso somado \u00e0 minha ressaca tornou tudo ainda mais lento. Shallan, por exemplo, continua interessante, mas sua persona principal (ou a pr\u00f3pria Shallan, digamos assim) regrediu bastante, se escondendo atr\u00e1s de identidades como a misteriosa Vel. Fiquei genuinamente preocupada com o estado psicol\u00f3gico da personagem, que parece cada vez mais fragmentada.<\/p>\n\n\n\n<p>A Ponte Quatro, que costuma aquecer meu cora\u00e7\u00e3o, finalmente ganha seus pr\u00f3prios cap\u00edtulos, mas, para minha surpresa, os achei um tanto arrastados. Apesar do carinho que tenho por personagens como Teft e Rocha, percebi que os prefiro no papel de coadjuvantes, brilhando em pequenas doses ao lado de Kaladin (pegou, rs?). Os \u00fanicos cap\u00edtulos que realmente prenderam minha aten\u00e7\u00e3o foram os de Moash, com sua vibe sombria e vingativa, e os de Rlain, sempre muito complexo. <\/p>\n\n\n\n<p>Os flashbacks de Dalinar come\u00e7am a mostrar suas falhas: sua rela\u00e7\u00e3o abusiva com Evi, por exemplo, me deixou desconfort\u00e1vel. A maneira como ele a tratava, sua indiferen\u00e7a emocional, e a revela\u00e7\u00e3o de que foi indiretamente respons\u00e1vel por sua morte s\u00e3o dur\u00edssimas. E mesmo ao apagar a mem\u00f3ria, algo nele permanece quebrado. Foi s\u00f3 ao confrontar essa verdade que ele, enfim, pareceu ganhar profundidade.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Quando o livro engrena<\/h3>\n\n\n\n<p>A Parte 3 finalmente trouxe o ritmo que eu esperava. Os interl\u00fadios brilharam: o conto da transmutadora mostrou os custos (emocionais e f\u00edsicos) do cargo, o que eu desconhecia, e o ponto de vista de Taravangian continua sendo um dos mais fascinantes da s\u00e9rie. Ele \u00e9 um verdadeiro lobo em pele de cordeiro. E o Diagrama, sua sociedade secreta, \u00e9 uma das maiores amea\u00e7as em Roshar, mesmo ele achando o contr\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Os segredos do passado de Dalinar v\u00eam \u00e0 tona de forma brutal, e mesmo assim, ainda o acho hip\u00f3crita. No entanto, seu confronto com a Euforia, assumindo sua culpa sem recorrer aos atalhos oferecidos, foi poderoso, sem d\u00favida um dos melhores momentos do livro. Ao proclamar o terceiro ideal dos Vinculadores, ele selou um pacto importante que tocou at\u00e9 mesmo a mim, que n\u00e3o sou t\u00e3o f\u00e3 do personagem, mas sua for\u00e7a e import\u00e2ncia para a s\u00e9rie s\u00e3o indiscut\u00edveis at\u00e9 aqui. <\/p>\n\n\n\n<p>O caos em Kolinar me prendeu do come\u00e7o ao fim. A apari\u00e7\u00e3o de Azure foi um dos momentos mais legais do livro, especialmente para f\u00e3s que amam f\u00e3 services e conex\u00f5es impl\u00edcitas com outros livros\/mundos da Cosmere (Warbreaker). Tudo nela grita que h\u00e1 uma hist\u00f3ria por tr\u00e1s sendo contada ali, especialmente quando ela menciona Zahel, s\u00f3 n\u00e3o temos acesso a ela ainda. Mas j\u00e1 adianto que estou ansiosa por isso. <\/p>\n\n\n\n<p>Mais uma vez, Kaladin carrega o peso emocional do livro nas costas, enfrentando um dos dilemas mais cru\u00e9is de sua trajet\u00f3ria: ver humanos e parshendianos se matando, sem conseguir escolher um lado, apenas paralisado pela dor. Enquanto isso, Elhokar tenta, tardiamente, se tornar um verdadeiro rei\u2026 e morre de forma tr\u00e1gica. Uma perda simb\u00f3lica, claro, mas sinceramente? Foi um al\u00edvio. Eu ansiava por esse momento desde o primeiro livro,  Elhokar sempre foi insuport\u00e1vel. Estava t\u00e3o certa de que ele n\u00e3o passaria deste volume justamente porque, veja s\u00f3, ele come\u00e7ou a melhorar. E conhecendo o Sanderson, pensei: ele vai nos fazer gostar do personagem s\u00f3 para esmagar nossos cora\u00e7\u00f5es. Mas n\u00e3o, comigo n\u00e3o funcionou. N\u00e3o esqueci nada do que ele fez. Cada cena dele me fez passar raiva, e sua tentativa tardia de reden\u00e7\u00e3o n\u00e3o me comoveu. Ent\u00e3o, j\u00e1 vai tarde. O mais curioso, por\u00e9m, foi ver como a morte dele quase n\u00e3o teve impacto nos outros personagens. A impress\u00e3o \u00e9 que ningu\u00e9m realmente se importava, o que no fundo, \u00e9 ainda mais triste. Afinal, se nem a narrativa parece lamentar a queda de um rei, o que isso diz sobre o rei que ele foi?<\/p>\n\n\n\n<p>E Shallan? Ela tem intera\u00e7\u00f5es incr\u00edveis com Riso (Hoid), cheias de poesia, mas tamb\u00e9m carregadas de um flerte de identidades. Ela se mostra fascinada e talvez instintivamente assustada com algu\u00e9m que parece v\u00ea-la al\u00e9m das m\u00e1scaras. Hoid joga pistas sobre a Cosmere, pistas que s\u00f3 vamos entender melhor com tempo e leitura. Mas aqui, j\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel sentir: <em>tem coisa muito maior acontecendo<\/em>. Como sempre. <\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Reta final de altos e baixos<\/h3>\n\n\n\n<p>Na Parte 4, a frustra\u00e7\u00e3o voltou. \u00c9 como se acompanh\u00e1ssemos os personagens mais ignorantes de Roshar, todos os grandes segredos est\u00e3o nas m\u00e3os de Jasnah, Taravangian, Renarin, Hoid\u2026 e a gente segue com o grupo que sabe de nada. A travessia para Shadesmar foi anticlim\u00e1tica, mas depois me encantei com aquele mundo e queria, inclusive, um livro inteiro ambientado l\u00e1 (\u00e0 la Tress!).<\/p>\n\n\n\n<p>Adolin continua sendo o raio de sol da narrativa: emp\u00e1tico, divertido e forte, mesmo vindo de uma inf\u00e2ncia emocionalmente negligente. Szeth, por outro lado, ficou aqu\u00e9m. Seus cap\u00edtulos me pareceram desinteressantes, e s\u00f3 a espada Nightblood salvava. Renarin, que poderia ganhar mais espa\u00e7o, segue misterioso e subaproveitado.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Parte 5, o final chegou atropelado. A reden\u00e7\u00e3o de Dalinar foi emocionante no confronto com Odium, mas r\u00e1pida demais para o peso do que ele carrega. Kaladin enfrentando Amaram virou cena de filme de sess\u00e3o da tarde. Preferia v\u00ea-lo protegendo Dalinar de inimigos mais consistentes. Shallan, que teve um \u00f3timo arco, encerra com um momento meio absurdo. O livro termina com um casamento, e n\u00e3o com o funeral do rei que ningu\u00e9m liga, o que me deixou um pouco desconcertada.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de tudo, dou 4 estrelas para <em>Sacramentadora<\/em>. O livro entrega momentos grandiosos e emocionalmente potentes, mas sofre com um certo desequil\u00edbrio entre sofrimento e recompensa. Em <em>Palavras de Radi\u00e2ncia<\/em>, os personagens sangram, sim, mas tamb\u00e9m vencem. J\u00e1 aqui, a dor parece se acumular sem contrapeso. E n\u00e3o falo apenas de vit\u00f3rias em batalha, mas daquela sensa\u00e7\u00e3o de avan\u00e7o: revela\u00e7\u00f5es importantes, segredos desvendados, compreens\u00e3o do mundo e de si. Falta um pouco desse senso de recompensa que justifique tanto sofrimento. <\/p>\n\n\n\n<p>E o que me bateu no final foi um tipo diferente de ansiedade: <em>vai dar tempo de amarrar tudo isso?<\/em> Afinal, j\u00e1 passamos da metade do &#8220;primeiro arco&#8221; e ainda me sinto no escuro. Ao conhecer sociedades como os Sanguespectros, o Diagrama e os Rompec\u00e9us, e personagens brilhantes como Taravangian ou at\u00e9 mesmo Jasnah (que seguimos vendo pouco), a sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 de que estamos na pontinha do iceberg. Ainda n\u00e3o temos acesso \u00e0s pessoas certas. E se o que estamos descobrindo vai al\u00e9m da trama de <em>Os Relatos das Guerras das Tempestades<\/em>? E se est\u00e1 transbordando para algo maior na Cosmere?<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">O que quero para o pr\u00f3ximo volume?<\/h3>\n\n\n\n<p>Para o pr\u00f3ximo volume, espero ver uma narrativa mais transparente com os protagonistas, chega de segredos que s\u00f3 o leitor sabe, enquanto os personagens seguem \u00e0s cegas. Quero tamb\u00e9m mais destaque para figuras essenciais como Jasnah, Taravangian e Renarin, que parecem sempre operar nas sombras das grandes decis\u00f5es, mas s\u00e3o claramente pe\u00e7as-chave do tabuleiro. Os esprenos, especialmente Syl, merecem mais espa\u00e7o e aten\u00e7\u00e3o: s\u00e3o parte fundamental da magia do mundo e, mesmo assim, s\u00e3o frequentemente deixados de lado, at\u00e9 por Kaladin. E tor\u00e7o por menos ingenuidade e um pouco mais de mal\u00edcia nas decis\u00f5es dos personagens, principalmente nas de Dalinar. A essa altura da hist\u00f3ria, certas trai\u00e7\u00f5es j\u00e1 deveriam estar escancaradas para ele. Por fim, sigo na torcida por mais Adolin. Seu brilho continua sendo uma das coisas mais ador\u00e1veis da s\u00e9rie.<\/p>\n\n\n\n<h2>\u2605\u2605\u2605\u2605<\/h2>\n\n\n\n<p>E voc\u00ea, j\u00e1 leu <em>Sacramentadora<\/em>? Vamos conversar nos coment\u00e1rios!<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Conclu\u00ed Sacramentadora depois de meses. Foi o que menos gostei? 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