Resenha | Misery, Stephen King

Misery… córdia!

Imagine uma versão moderna de As Mil e Uma Noites, onde a rainha Sherazade é vivida por um escritor best-seller e o Rei Shariar é uma ex-enfermeira com problemas mentais.  Junte isso com uma dose de o romance O Colecionador de John Fowles e por fim a escrita de Stephen King e temos em mãos Misery!

Nessa história você embarca de cabeça em vários acontecimentos. Paul Sheldon, um famoso escritor da década de 1980 dos Estados Unidos, sofre um acidente de carro após dirigir bêbado e não tem a mínima ideia do local que ele se encontra. Quando recupera um pouco de sua consciência acaba descobrindo que está num quarto de uma casa no meio do nada, no estado do Colorado em pleno inverno. A dona dessa casa e sua salvadora é Annie Wilkes,  que para sorte de uma FÃ NÚMERO UM, teve o privilégio de encontrar seu escritor favorito, responsável pela criação das suas obras favoritas, no caso, os livros da heroína Misery Chastain. Mas graças ao seu imaginativo de escritor, Sheldon percebe que existe algo de errado com sua fã, e para sua infelicidade, o futuro mostra o quão certo ele estava.

“A verdade não é mais estranha que a ficção, não importa o que digam. Na maioria das vezes a gente sabe exatamente como as coisas vão terminar.”

Paul Sheldon, o escritor que está na casa dos 42 anos, é mais conhecido pelas suas histórias onde se encontra a personagem Misery Chastain. Apesar de sua fama ter sido atingida pelos livros em que estão essa heroína, ela é a personagem que ele mais detesta e se sente extremamente satisfeito quando finaliza o último romance da saga e dá a Misery o pior final para um protagonista: sua morte. Com esse sentimento de liberdade e querer sair do mundo da ficção popular, Paul entra de cabeça para a criação de um livro que tem certeza que seria aclamado pela alta literatura. Mas como sofrer um acidente e ser salvo por uma pessoa louca obsessiva não estava em seus planos, talvez as coisas não ocorram como ele espera.

Annie Wilkes, a outra personagem dessa história, é uma ex-enfermeira que assim como Paul, passou dos 40 anos de idade. Pouco se conta do passado dela no início do livro, mas não se pode esperar coisas muito boas de uma pessoa vivendo no meio do nada, afastada de sua profissão, que ao salvar uma pessoa de um acidente, leva para sua casa ao invés de buscar ajuda no hospital da cidade. No decorrer da história mostra ser uma pessoa imprevisível e capaz de atrocidades que a colocam num patamar como um dos principais vilões do King. Agora imagine do que uma pessoa mentalmente inconstante é capaz de fazer ao ler o último livro da sua saga favorita, com um final tão amargo e tendo aos seus cuidados o autor dessa obra em suas mãos num estado fragilizado? O que pode acontecer é bem pior do que se pode imaginar nessa relação que começou com o esquerdo.

Em sua maior parte, a história conta com apenas esses dois personagens descritos. Mas não deixe que isso te impeça de ler. A trama é bem movimentada e no decorrer das páginas você embarca cada vez mais afundo, principalmente nos devaneios de Paul ou nas ações psicóticas de Annie. No livro é trabalhada uma expressão bem conhecida dos fãs de Stephen King, a de Leitor Fiel. O protagonista usa essas palavras por muitas vezes ao analisar a sua salvadora. Mas quando Misery foi lançado em 1987 os fãs interpretaram isso de maneira errada, achando que essa era uma crítica de King para com os seus fãs. Mal eles sabiam que na época, o nosso Rei estava tentando se livrar de vícios que colecionava por anos, como o abuso de bebidas alcoólicas e da cocaína. É possível perceber as várias analogias que ele usou no livro com os devaneios de Paul Sheldon quando sentia necessidade do Novril, uma droga que Annie dava para ele não sentir tanta dor.

“Nunca foi por você, Annie, nem pra nenhuma dessas pessoas que assinam as cartas com “Sua fã número um.” Na hora em que a gente começa a escrever, essas pessoas estão do outro lado da galáxia. Nunca foi para minhas ex-esposas, ou minha mãe, ou meu pai. O motivo de os autores quase sempre colocarem dedicatórias em livros, Annie, é que o egoísmo deles no final horroriza até eles próprios.”

Me faltam polegares para dar jóinhas para a história. Tem de tudo que se espera de um livro de Stephen King: personagens fortes e bem construídos, uma análise sobre a maldade humana, uma das melhores vilãs da literatura, cenas fortes, muito sangue e várias referências da cultura pop das décadas anteriores de 1980 nos Estados Unidos.


Título: Misery (Louca Obsessão)
Autor: Stephen King
Tradução: Elton Mesquita
Editora: Suma de Letras
Ano: 2014
Páginas: 328
Skoob | Goodreads | Amazon

Sinopse: Paul Sheldon descobriu três coisas quase simultaneamente, uns dez dias após emergir da nuvem escura. A primeira foi que Annie Wilkes tinha bastante analgésico. A segunda, que ela era viciada em analgésicos. A terceira foi que Annie Wilkes era perigosamente louca. Paul Sheldon é um famoso escritor reconhecido pela série de best-sellers protagonizados por Misery Chastain. No dia em que termina de escrever um novo manuscrito, decide sair para comemorar, apesar da forte nevasca. Após derrapar e sofrer um grave acidente de carro, Paul é resgatado pela enfermeira aposentada Annie Wilkes, que surge em seu caminho. A simpática senhora é também uma leitora voraz que se autointitula a fã número um do autor. No entanto, o desfecho do último livro com a personagem Misery desperta na enfermeira seu lado mais sádico e psicótico. Profundamente abalada, Annie o isola em um quarto e inicia uma série de torturas e ameaças, que só chegará ao fim quando ele reescrever a narrativa com o final que ela considera apropriado. Ferido e debilitado, em Misery – Louca obsessão, Paul Sheldon terá que usar toda a criatividade para salvar a própria vida e, talvez, escapar deste pesadelo.

3 comentários

  • Viviane Oliveira

    Eu já tinha dado uma folheada nesse volume e achei ele bem pesado!
    O enredo é incrível e acredito em todas essas referencia da vida real do autor sim, até dos fãs malucos, com certeza ele tem! hahaha Mas claro que não são todos!
    Eu pretendo ler quando puder sim!

    osenhordoslivrosblog.wordpress.com

  • Jessica Rabelo

    Oi Rogério.
    Eu já te disse que amo suas resenhas? Não, pois é. Eu amo suas resenhas.
    Uma das minhas metas para ano que vem, e eu faço uma porrada de metas, é ler mais livros do Stephen King. A Vivi (essa senhora do comentário acima), faz eu ler IT e eu me apaixonei.
    Aí, lindamente, você me aparece com essa resenha sensacional sobre um livro de premissa fantástica, que pelo jeito tem um desenvolvimento melhor ainda. Estou realmente necessitada desse livro.
    Beijos.

    Blog: Fantástica Ficção

  • Jacqueline Vasconcelos

    Oi, tudo bem ?

    Bom confesso que ainda não li nada do Sthepen King esse nome de peso e de excelentes histórias. Apenas vi alguns filmes baseados em suas obras, mas sua resenha me deixou bastante curiosa tanto pelos quotes como também pelo seu ponto de vista e avaliação que só confirmarão o quanto o livro é uma ótima dica de leitura. Os personagens parecem intensos e bem construídos, assim como toda sua sinopse e proposta estão atrativos.

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