Resenha | Leonardo da Vinci – Walter Isaacson

“Se o amor não existe, o que existe então?”

História é uma ciência da área de humanas que nos permite fazer um estudo reflexivo e crítico sobre o passado, percebendo a evolução do modo de vida, de novas descobertas e através da transformação do pensamento humano. E um dos períodos mais fascinantes dessa transformação do “homem” em seu ambiente ocorre durante a transição entre o período que historiadores chamam de Idade Média, com o fim do feudalismo, para a Idade Moderna, onde as pessoas começam a deixar de viver no campo e se entregam a um novo estilo de vida em que as cidades foram crescendo, novas profissões ou ofícios aparecendo, expansionismo comercial e a filosofia moral chamada de humanismo, que coloca o ser humano no centro do mundo, e não mais a figura de Deus como o centro de todas as coisas. O Humanismo ajudou na transformação do pensamento e seu efeito é nítido no surgimento de novas ciências, nas artes e na desmitificação do universo. E é nesse período de renascimento de novas ideias que surge uma das figuras mais impressionantes da nossa história: Leonardo da Vinci.

Salvator Mundi

Mesmo que você não seja muito fã de História ou de Ciências Humanas, é super provável que tenha ouvido falar em Da Vinci. Até porque se você é mais afeiçoado as ciências exatas, o nosso querido Leonardo não se encaixava em apenas um padrão de estudo, pois apesar de ser conhecido mais por suas pinturas, ele era inventor, anatomista, matemático, arquiteto, engenheiro e botânico. O cara era um observador de padrões, e curioso por natureza. É assim que o autor de sua biografia, Walter Isaacson o enquadra, como um homem curioso e não um gênio. Pois ao chamá-lo assim, o criador de as inúmeras Madonas, o Homem Vitruviano, Ginevra de’ Benci, São Jerônimo do Deserto,  A Adoração dos Magos, Salvator Mundi,  A Última Ceia, o mais conhecido de seus quadros: A Monalisa, seria desmerecer todo o empenho que o nosso italiano colocava nas coisas em que fazia. Pois não é qualquer dia que se vê alguém mexer e estudar cadáveres  para poder pintar melhor em uma tela os detalhes do corpo humano.

Walter Isaacson periodiza a vida de Da Vinci em seus principais momentos e feitos. Desde a sua infância, que ajudou a definir o caráter de Leonardo, por ser um filho que em sua época era o que chamavam de bastardo, um filho fora de casamento, não teve que seguir a tradição de ter como profissão a  de seu pai, no ramo do tabelionato. Em Florença ficou sob a tutela Andrea del Verrochio, inicialmente como aprendiz e depois uma espécie de colaborador, pelo fato de Leonardo ser perfeito em uma das maiores falhas de seu mestre, o de retratar a natureza. Mas começam a surgir dificuldades em sua vida, então ele resolve dar um passo que traria novos ventos em sua carreira: escrever uma carta ousada oferecendo seus serviços para Ludovico Sforza, homem que futuramente encomendaria A Última Ceia.  Não vou me ater muito a detalhes para o caso de você ao ler a minha resenha sentir vontade em ler o livro, e garanto, vale muito a pena. Enfim, o livro não para por aí, e o nosso personagem no decorrer de sua vida acaba indo e voltando para as cidades de Florença e Milão, se aventura por Roma e na França, onde apresentou La Gioconda, a Monalisa, ao rei Francisco I, e futuramente este seria o local onde morreu Leonardo aos 67 anos no dia 02 de maio de 1519.

“Se o pintor quiser enxergar belezas capazes de arrebtá-lo, ele é o próprio mestre de sua produção.”

La Gioconda, Monalisa

Isaacson nos mostra ao longo do livro uma pessoa que conseguiu ter sucesso mesmo estando fora dos padrões da época, pois Leonardo era um filho ilegítimo, provavelmente tinha o que chamamos de déficit de atenção, vegetariano, canhoto (característica que a igreja julgou por muitos anos como pessoas do que cultuavam o Diabo) e era homossexual. Se nos dias atuais na chamada sociedade contemporânea vemos inúmeras atrocidades que o preconceito faz com pessoas homossexuais, imagine como foi para ele viver em um período mais agressivo e intolerante que o nosso. Além disso, o autor ao longo do livro explica de que forma as obras de da Vinci foram produzidas, qual o estilo que ele usava e como o ambiente influenciava todo o seu trabalho.

Sou suspeito a falar, desde os tempos escolares admirei muito a pessoa que Leonardo da Vinci foi. E ver ele citado em obras literárias que eu adoro, como O Código da Vinci, ajudou e muito sobre conhecer um pouco mais sobre sua pessoa. Era um homem brilhante, e muito a frente do seu tempo, ouso dizer. Está naquela categoria de renomados como Isaac Newton, Albert Einsten, Wolfgand Amadeus Mozart, Caius Júlio Cesar e tantos outros nomes que entraram pra nossa história. Dizem que as pessoas só morrem quando são esquecidas, então o criador do sorriso mais enigmático e caro do mundo talvez seja o mais célebre dos imortais.

Exemplar cedido pela editora.


Título: Leonardo da Vinci
Autor: Walter Isaacson
Tradução: André Czarnobai
Ano: 2017
Editora: Intrinseca
Páginas: 640
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SINOPSE: A biografia definitiva do mestre Leonardo da Vinci, assinada pelo autor dos best-sellers Steve Jobs: A biografia e Einstein: sua vida, seu universo
Com base em milhares de páginas dos impressionantes cadernos que Leonardo manteve ao longo de boa parte da vida e nas mais recentes descobertas sobre sua obra e sua trajetória, Walter Isaacson, biógrafo de Einstein e Steve Jobs, tece uma narrativa que conecta arte e ciência, revelando faces inéditas da história de Leonardo. Desfazendo-se da aura de super-humano muitas vezes atribuída ao artista, Isaacson mostra que a genialidade de Leonardo estava fundamentada em características bastante palpáveis, como a curiosidade, uma enorme capacidade de observação e uma imaginação tão fértil que flertava com a fantasia.
Leonardo criou duas das mais famosas obras de arte de todos os tempos, A Última Ceia e Mona Lisa, mas se considerava apenas um homem da ciência e da tecnologia — curiosamente, uma de suas maiores ambições era ser reconhecido como engenheiro militar. Com uma paixão que às vezes se tornava obsessiva, ele elaborou estudos inovadores de anatomia, fósseis, o voo dos pássaros, o coração, máquinas voadoras, botânica, geologia, hidráulica, armamentos e fortificações. A habilidade para entrelaçar humanidades e ciência, tornada icônica com o desenho do Homem vitruviano, fez dele o gênio mais criativo da história.
Filho ilegítimo, à margem da educação formal, gay, vegetariano, canhoto, distraído e, por vezes, herético, o Leonardo desenhado nesta biografia é uma pessoa real, extraordinária pela pluralidade de interesses e pelo prazer que tinha em combiná-los. Um livro indispensável não só pelo caráter único de representar integralmente o artista Leonardo, mas como um retrato da capacidade humana de inovar, da importância de não apenas assimilar conhecimento, mas ter a disposição para questioná-lo, ser imaginativo e, como vários desajustados e rebeldes de todas as eras, pensar diferente.

 

4 comentários

  • Viviane Oliveira

    É engraçado como na escola nós estudamos tanto suas obras, mas quase nada sobre ele como pessoa. Amo ler biografias, sou uma curiosa nata tb hahaha, só um pouco menos que Leonardo. Admiro MUITO todas as obras e estudo dele, sou naturalmente uma pessoa com o lado criativo mais desenvolvido, por isso sou avessa a números e nem imagino como ele conseguia ter ambos os lados tão desenvolvidos!!

    osenhordoslivrosblog.wordpress.com

  • Cecília Justen de Souza

    Ei! Tudo bem?

    Assim como você (e provavelmente todo mundo que admira Da Vinci), passei a me interessar pela pessoa e suas criações na escola, acho que teve um papel muito importante na minha formação e nos meus conhecimentos, o considero um dos grandes.
    Queria ler uma resenha sobre esse livro há um tempo, fico feliz em ter aparecido aqui. Sua postagem é ótima e, mesmo sendo uma biografia, fico com muita vontade de ler.

    Beijos!
    http://www.365coresdouniverso.com.br/

  • Kelly muniz

    Oie…
    De fato Leonardo da Vinci foi um grande pintor. Confesso que esse tipo de leitura não me chama atenção, eu de fato não leria mesmo. Mas acho legal autores que criam esse tipo de livro. Eles me lembram os livros de Dan Braw (não sei se é assim que escreve rsrs). O interessante é que cada pintura representa uma história né?!
    Muito boa a sua resenha e as colocações que abordou.
    Bjss

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